o retorno do macaco

Agosto 1, 2008 por Leandro De Maman

no trabalho de ontem, surgiram coisas novas e o trabalho começou a ganhar outro tom.

Iniciei o trabalho com Nilce, e após o aquecimento, iniciou uma proposta de caça, de corrida. Meu corpo entrou em chamas e me senti muito aceso. E aí Niiilce passou a propor estímulos de totem: primeiro o touro na bacia e pernas, depois leão no peito, e um novo (pro trabalho) macaco pra cabeça.

Já havia trabalhado com essa figura do macaco em Hotel Medea na cena dos paparazzi, e me senti bastante a vontade de trabalhar com a dinamica do macaco só na região da cabeça. Nisso começou a haver um forte contraste entre a rigidez do touro, e a brincadeira/ agilidade do macaco. E o leão também passou a ter vida própria. Como se em alguns momentos o corpo fosse realmente dividido em três, e até de vez em quando brigando entre si.

Essa coisa do macaco trouxe um outro tom pro guerreiro, que andava muito sério. Ampliou as possibilidades de jogo, e a dinâmica de ações. Nesses momentos do macaco, ocorreu um estado em que o macaco simplesmente se descontrolou de tanto rir. Um descontrole muito vivo. Não sei que que me deu, mas me senti aberto, solto, com uma sensação de liberdade muito forte.

Logo após, por sugestão de Nilce, passei a experimentar as partituras anteriores dentro dessa nova dinâmica. E novas nuances surgiram. A própria caminhada zero que já andava meio estagnada e “morna”, voltou a adquirir um tom mais forte, como se um canal realmente tivesse sido aberto naquele momento.

Espero que que essa energia consiga ser codificada para ser repetida no futuro. =)

vamos invadir tua praia

Agosto 1, 2008 por Leandro De Maman

Na quarta feira (dia 30) por sugestão de Nilce, fomos treinar na praia. Fomos eu, Irlane e Nilce. Nilce propunha o que ser feito, e eu e Irlane repondíamos.

Basicamente foram aproveitados os estímulos que o ambiente nos dava: a areia no chão, o barulho do mar, das ondas quebrando, e o vento que soprava continuamente. A maré estava baixa, e tinha bastante espaço de areia lisa.

O trabalho começou individual, com a busca corporal em relação com esse ambiente. Senti uma movimentação muito leve acompanhando o vento, e descobri uma nova dinâmica do quadril, como ondas do mar. Como um mar imenso carregado na bacia e em movimento. Senti que esse estímulo pode ainda ser aprimorado. Experimentei também meus pés realmente fincados na areia, como raiz. E experimentei alguns estímulos internos já construídos.

Após esses momentos, foi feito o tapete (momento de jogo, ou apenas demonstração do material adquirido durante a jornada), nele jogamos eu e irlane. Foi bonito.

Sempre muito bom mudar de ares, pra oxigenar o trabalho.

fotos e filmagens

Julho 28, 2008 por Leandro De Maman

Sexta feira (dia 25), passamos todas as matrizes já conquistadas para fazer levantamento de material. E Irlane aproveitou a ocasião para tirar fotos, e Nilce para filmar. Se eu conseguir editar e jogar no youtube, no futuro o vídeo deve aparecer por aqui. Ali embaixo fotos tiradas por Irlane

mustafá matrizes

As matrizes continuam basicamente as mesmas do post anterior, com pequenas adições e alterações:
- Caminhada zero
- Vazio
- boi defendendo
- ataque de pena
- Moscas
- Explosão
- encontros (com o outro, todos e deus)
- música lenta
- agradecimento da gueixa
- agradecimento
- galobo
- Xangô

Esse último é o que tem a energia masculina mais forte – mais agressiva. Assistindo o vídeo vi que a minha base continua muiiiito alta. Na minha cabeça eu achava que estava beem mais baixa. Coisa pra se trabalhar, que já começamos hoje. Abaixo fotinho da nilce com a camera =P

matrizes

Julho 21, 2008 por Leandro De Maman

Aqui continuo trabalhando com Irlane na geração de matrizes.

Basicamente as matrizes que estão sendo trabalhadas são as seguintes
- A caminhada zero

- 3 ações à partir do desequilíbrio
- Ação de explosão
- ação do ataque das moscas
- início do trabalho com animais: lobo e galo
- ação da canção pessoal
- ações com movimentos a partir dos personagens do boi
- ação do pedido

Hoje irlane iniciou um trabalho de diferenciação entre energia masculina e feminina
Mas hoje só teve o início. Trabalhamos alguns movimentos de iemanjá x boi

Também iniciei um trabalho com Daniela Dini sobre a dança do  caroço. Tivemos só uma sessão
e a próxima deve ser na quarta feira. A idéia é integrar dança popular em algum lugar (ou não, hehe)

Além disso aprendi a fazer espadas com balão, e pretendo ir na PLAN (lugar cheeeio de crianças) com Nilce
para brincar com as crianças, já que a relação espada – criança era um dos temas iniciais.

=) sem novas fotos por enquanto.

Sobre o encontro

Julho 16, 2008 por Leandro De Maman

Cada vez mais eu acho que esse trabalho deve ser relativo à um encontro. À criação de um momento de encontro entre a platéia e o samurai. E que isto deve ser o mais importante. Mais importante do que um ato performático egoísta, esquecido do outro que está ali.

A questão é, como promover e aprofundar esse encontro.

Não sei.

De qualquer maneira, hoje aconteceu um. Entre eu e esse menino da foto, quando falaram a entrada do samurai, seus olhos brilharam. E ficou ali, disponível. Lhe entreguei o pandeiro para me acompanhar, e depois brinquei rápido de espada. Foi bacana. Momento de encontro.

Cortejo

Julho 16, 2008 por Leandro De Maman

Primeiro dia de mustafá na rua
Foi no meio de um cortejo, fomos até a praça cantando música.
Raquel hiper super desenvolta, se sentindo a vontade, como num habitat natural. Bonito de se ver.

Até que de repente anunciam a entrada do samurai mustafá, lá no meio daquele povo, daquela energia criada. Logo de início já senti a energia quebrada e caindo, caindo lá no fundo. E eu com várias idéias na cabeça ainda não testadas. Não poderia dar em outra, me senti perdido naquele ambiente. Tentando esconder o desespero enquanto tentava fazer algumas ações. Uma coisa ou outra até funcionou mas no geral, foi como se eu caísse no meio de uma piscina sem saber nadar. E então veio aquela sensação de derrota, aquela sensação de perda de tempo, aquela coisa de tanto trabalho e agora isso.

Voltei pra sede da tapete arrasado. Fiquei deitado no chão um bom tempo. Pescoço doía, talvez muita tensão. Não sei.
Foi bom, mas não foi.
Enfim, só revelou todo despreparo. e o tanto que ainda tem que trabalhar. Aprofundar matrizes, não perder a essência da ação, desenvolver essa essência e como mantê-la na rua, treinar a abertura e comunicação na rua, para o ambiente deixar as poucos de ser tão hostil.
Raquel me falou que é assim mesmo, que no começo quando nada está maduro, parece que nada vai dar certo. Que nada presta. Mas que não é pra ficar triste não, ter paciencia e deixar amadurecer.
Fiquei meio abalado com a experiencia de qualquer forma.

Pelo menos o visual ficou bacana.
fotos do cortejo abaixo

mustafá na rua

Chegada no Maranhão

Julho 6, 2008 por Leandro De Maman

Dia 23 cheguei no Maranhão, para trabalhar intensivamente no projeto do Samurai, e também para treinar junto com a Tapete. Programamos trabalhos diários focados no projeto todas as manhãs, e vou participar dos treinamentos segunda, quarta e sexta à tarde. Nessa primeira semana, quem me acompanhou mais de perto foi Irlane, treinamos todos os dias chegando a  uma pequena síntese de matrizes (todas a aprofundar) que podem ser relacionadas abaixo:

- caminhada zero;
- corpo vazio;
- afirmação do samurai;
- guerreiro cego;
- bastão com personagens dos boi;
- desequilíbrio na água e ar;
- braços circulares;
- reverência;

abaixo foto da Irlane aqui na sede do grupo

Urias de Oliveira

Julho 6, 2008 por Leandro De Maman

Desde o início do ano aconteceu uma conversa entre eu e Urias (diretor do Grupo Tapete do Maranhão) sobre o Samurai Mustafá e a possibilidade de ele dirigir o trabalho. No fim acertamos as coisas e começamos a trabalhar lá na Europa, paralelo ao projeto “Hotel Medea”. Como Hotel Medea era prioridade, não tivemos muito tempo de trabalho pro Samurai, mas conversamos bastante sobre o projeto, sobre objetivos com o teatro e essas coisas.

Basicamente recomeçamos o trabalho do zero, a partir de uma caminhada que entitulamos de “caminhada zero”. Trata-se de uma caminhada muito lenta, com palmas voltadas pra frente, coluna ereta, base baixa e boca aberta. Foi feita ao ar livre, à beira de um lago. Durante a caminhada em que pode-se levar meia hora para andar 10 metros. É um momento bem intenso em que pelo menos pra mim surgiram várias imagens, e muitas delas sendo deformações do ambiente.

Abaixo foto do Mestre Urias de Oliveira ministrando workshop em londres.

Figurino Mustafá V 1.0

Abril 24, 2008 por Leandro De Maman

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Antes que Mustafá fosse para Europa, foi necessário fechar a primeira idéia de figurino, o figurino V 1.0, até pq este trabalho vai ficar parado até julho-agosto, quando Samurai Mustafá retorna ao Sul do Brasil.

Em pesquisas para trabalhos anteriores de figurinos e cenário, eu já tinha vontade de usar sucata. Mas usar sucata como matéria base, nada que ficasse muito característico, muito “monte de lixo”. Quando Leandro começou com as idéias de desenvolver um solo, Samurai Mustafá, mesmo antes de iniciarem os treinos, me ofereci para concepção/execução de figurino e já sugeri a idéia de usar materiais de sucata. Assim como inicialmente a concepção do personagem era bem livre, também me foi dada liberdade para sugerir e desenvolver o figurino.

Trabalhando simultaneamente, desenvolvimento de personagem e do figurino, ambos passaram a se complementar. A sucata, o lixo, remetia às ruas de hoje, a época atual, e desde o início Leandro também pensou que o solo podia ser apresentado na rua, como uma performance. Assim, o ronin Mustafá, seria também um andarilho atual, que teria construído sua “armadura” de coisas encontradas na rua. É onde entra a idéia da sucata.

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Um trabalho contribuiu para o outro, o desenvolvimento do personagem gerava idéias para o figurino, como a substituição da espada de madeira ou de espuma por um guarda-chuva, que fecha com o conceito de um samurai andarilho, e o desenvolvimento do figurino ajudou a fechar alguns elementos do personagem, como reforçar a idéia de andarilho, samurai ronin.

Ainda para o futuro, quanto a cenário, pretendo desenvolver estudos e idéias sobre interação no espaço público, significado desses espaços e por sugestão do Leandro até mesmo uso de algum elemento, mobiliário, equipamento (lixeira, poste, floreira, ponto de ônibus,…) para substituir ou ajudar a compor o boneco de treino que faz parte de uma das cenas do Samurai Mustafá.

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Samara Zukoski

Presentão de Aniversário

Abril 9, 2008 por Leandro De Maman

Osmar de Oliveira do Porto Cênico (que não é parente da Valéria de Oliveira), me deu de presente de aniversário esse livro que se chama “Kyogen – o teatro cômico do japão” de Sakae Murakami Giroux. Brigadão OOOOSMAR. Tudo a ver com mustafáaaa.

O livro é bem bacana, e fala desse gênero de teatro no Japão que divide palco e faz contraponto com o Teatro nô. Seria uma estética de Teatro mais popular que o nô, com personagens mais cotidianos. O que não quer dizer que seja uma arte “Largada”, já que a maturidade do ator desse gênero só chega lá pelos 50 anos.

“Alguns meses depois, houve no Japão a apresentação da peça ‘O Inspetor Geral’, de Gogol, pelo Teatro de Arte de Moscou. Manzo Nomura, que assistiu à estréia disse: ‘Não gostei. Há movimentos em excesso e é barulhenta’.
Os dois artistas destacaram ‘a simplicidade e concisão’ como características do Kyogen.”

Essas características eu tb gosto bastante, e acho que seria uma meta bem interessante pro trabalho. Pra variar, sempre quando a gente lê esse livro dá vontade de ver uma peça desse estilo, porque só escrito a gente não tem muita noção.

Tem várias peças desse estilo (kyogen) traduzidas no livro, e comentários sobre elas. Mas na classificação inicial, não apareceu nenhuma categoria especial para os Samurais. Uma pena. Normalmente o jogo se dá entre Damio e Vassalo (Tarokaja).

Mas ao final é comum haver canto e dança, porque dentro na cultura japonesa, o canto e a dança seriam manifestações da felicidade. Então é por isso que o filme marical japonês “zatoichi” termina com canto e dança. Quando vi achei meio estranho, até infantil, mas agora entendendo o real sentido, acho até que seria uma boa opção para finalização do espetáculo “mustafá”.