Arquivo da categoria ‘Conceitos’

Sobre o encontro

Julho 16, 2008

Cada vez mais eu acho que esse trabalho deve ser relativo à um encontro. À criação de um momento de encontro entre a platéia e o samurai. E que isto deve ser o mais importante. Mais importante do que um ato performático egoísta, esquecido do outro que está ali.

A questão é, como promover e aprofundar esse encontro.

Não sei.

De qualquer maneira, hoje aconteceu um. Entre eu e esse menino da foto, quando falaram a entrada do samurai, seus olhos brilharam. E ficou ali, disponível. Lhe entreguei o pandeiro para me acompanhar, e depois brinquei rápido de espada. Foi bacana. Momento de encontro.

Presentão de Aniversário

Abril 9, 2008

Osmar de Oliveira do Porto Cênico (que não é parente da Valéria de Oliveira), me deu de presente de aniversário esse livro que se chama “Kyogen – o teatro cômico do japão” de Sakae Murakami Giroux. Brigadão OOOOSMAR. Tudo a ver com mustafáaaa.

O livro é bem bacana, e fala desse gênero de teatro no Japão que divide palco e faz contraponto com o Teatro nô. Seria uma estética de Teatro mais popular que o nô, com personagens mais cotidianos. O que não quer dizer que seja uma arte “Largada”, já que a maturidade do ator desse gênero só chega lá pelos 50 anos.

“Alguns meses depois, houve no Japão a apresentação da peça ‘O Inspetor Geral’, de Gogol, pelo Teatro de Arte de Moscou. Manzo Nomura, que assistiu à estréia disse: ‘Não gostei. Há movimentos em excesso e é barulhenta’.
Os dois artistas destacaram ‘a simplicidade e concisão’ como características do Kyogen.”

Essas características eu tb gosto bastante, e acho que seria uma meta bem interessante pro trabalho. Pra variar, sempre quando a gente lê esse livro dá vontade de ver uma peça desse estilo, porque só escrito a gente não tem muita noção.

Tem várias peças desse estilo (kyogen) traduzidas no livro, e comentários sobre elas. Mas na classificação inicial, não apareceu nenhuma categoria especial para os Samurais. Uma pena. Normalmente o jogo se dá entre Damio e Vassalo (Tarokaja).

Mas ao final é comum haver canto e dança, porque dentro na cultura japonesa, o canto e a dança seriam manifestações da felicidade. Então é por isso que o filme marical japonês “zatoichi” termina com canto e dança. Quando vi achei meio estranho, até infantil, mas agora entendendo o real sentido, acho até que seria uma boa opção para finalização do espetáculo “mustafá”.

Reflexões Dramatúrgicas e o Arcano “O Louco”

Março 29, 2008

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Desde o início do processo, uma pergunta sem resposta me incomodava muito: afinal, o que quero “dizer” com essa história de Samurai? Em que ponto o trabalho vai além do entretenimento? Acho que agora aos poucos começo a encontrar uma resposta. Gosto de não começar o trabalho pelo sentido, acho que o sentido pode ser descoberto depois, o que gera algo mais inconsciente e mais rico. Não sei. Opinião pessoal.

Bem, tenho pensado na dramaturgia que vem sendo construída, o que ocorre é que na estrutura atual, Mustafá aniquila seus adversários num ato impulsivo, e isso gera um problema maior, gera um adversário ainda maior. E a solução para “vencer” esse adversário, passa a ser a fuga.
Ok, uma solução contra-a-violência, mas Mustafá dessa maneira, não resolve o problema, apenas foge dele, o que não é o melhor a ser feito. Então acho que esse problema deve voltar depois, de maneira que mustafá só vai consegui se ver livre dele, quando realmente o enfrentar, quando buscar alguma outra solução, que não o embate físico, para vencer seu novo adversário. Trata-se de não ser covarde. Então à príncipio penso que o assunto a ser abordado por ser justamente isso, essa questão da covardia de não enfrentar a realidade, de fugir dos problemas gerados por si próprio. E abordar a verdadeira coragem, que nada tem a ver com atitudes impulsivas ou violência.

Ao pensar nisso, lembrei também, que tem um arcano no tarot, no número 0 (ou 22), também chamado de “o louco” que pode ser uma referência muito boa para a construção do personagem e seu aprofundamento, e até aprofundamento dramatúrgico. “O louco” tem tudo a ver com o conceito do Ronin Andarilho que estamos trabalhando, e tem essa questão negativa a ser resolvida (equacionada) da fuga, da irresponsabilidade. Já achei uns links bem legais que estou colocando aí embaixo para quem se interessar, e para que eu possa ler com calma também e analisar esses textos, vendo que pontos se encontram com o trabalho que vem sendo proposto.

O site é ótimo, chama-se clube do tarot:
http://www.clubedotaro.com.br/site/m32_22_louco.asp
http://www.clubedotaro.com.br/site/m33_22_cid.asp
http://www.clubedotaro.com.br/site/m32_22titi.asp
http://www.clubedotaro.com.br/site/m32_22betoh.asp

Sobre o processo criativo

Fevereiro 29, 2008

Umas das coisas que acredito quanto ao processo criativo, é que nunca se deve acreditar plenamente na primeira idéia, e sim que se deve buscar qual a idéia vem além desta primeira. Porque para uma idéia ser inesperada para outro, ela antes de tudo deve ser inesperada para quem a teve. Deve ser uma descoberta, um achado, algo que eu não esperava e olha só que legal isso aqui, como não pensei nisso antes!!

“Como não pensei nisso antes!!” resume tudo, porque se você pensou nisso antes, quer dizer que qualquer um poderia ter pensado, mas se você não pensou nisso antes, isso quer dizer que quem recebe sua idéia provavelmente também não pensou nisso antes, e vai se surpreender.

Por isso acredito no processo criativo como uma ruminação, uma elaboração da idéia, não uma elaboração no sentido de construir estruturas hipercomplexas, mas no sentido de uma reelaboração constante em busca da simplicidade, um se lançar e estar aberto às novas possibildades que podem aparecer no caminho.

Com relação às possibilidades também posso dividi-las em duas categorias, existem as idéias mentais, aquelas que a gente fica pensando pensando, enquanto toma banho, enquanto caminha, e com um pouco de disciplina o ideal é anotar todas, e deixá-las evoluir na cabeça.  Essas idéias mentais podem dar boas cenas, ou não. Somente no momento da execução é que se sabe se uma idéia realmente funciona, porque cada meio de expressão é um canal diferente que possui suas próprias potencialidades.  Outro tipo de idéia vem da exploração da própria linguagem de expressão, como no caso do ator, extrair idéias da própria movimentação do ator e sua relação do espaço, e não do imaginário. Estar aberto a essas idéias a partir do corpo e não a partir da mente.

Acredito que a exploração deve se dar dentro dessas duas camadas, e que elas não estão separadas, pode-se ter uma idéia mental que não funciona do jeito que se imaginava, mas que me leva pra um outro caminho, que de repente alterando aqui e ali pode dar uma coisa muito legal. Assim como pode-se descobrir algo muito expressivo dentro de um processo de descoberta física, e que pode ser atrelado à uma idéia mental para ampliar força e sentido. O que significa não se apegar, mas de saber optar sobre qual a melhor possibilidade.