sssnake

By Leandro De Maman

Sexta-feira. Mais um dia de treino.

Díficil engrenar, a manhã anterior foi bem desgastante, fisicamente e energeticamente. Estava na torcida para Nilce me dar “o cano”. Mas que nada, 8 horas da manhã me ligou: vai aquecendo que tô chegando.

Aqueci. varri a sala. me deitei. Impulsos a partir do centro no chão. Plano médio. Plano alto. Acompanhando a música: mestre ambrósio.

Tudo para. Um cobra começa no pescoço. Depois desce pros ombros, atinge a espinha e depois o quadril. A espinha inteira engajada e o resto do corpo reagindo. Durante não sei quantos minutos nesse movimento. Algum tempo depois, começou a surgir um som do próprio movimento, voi meio sem querer. E o movimento foi ampliando, e começou uma dor estranha, e o som apliando junto com a dor.

Veio assim sem imagem mesmo. Simplesmente um movimento e um estado. Como que algo fisgando parte da musculatura mesmo, e mudando o som, e esse som ecoando por tudo dentro. E foi assim até surgir outro estado, esse mais contido, mais fechado, com braços e pernas se cruzando e peito aberto. Dois estados, a partir daquele moviemnto. Bem fortes. Até não mais ter força.

Aí fiquei no chão mesmo. um bom tempo.

Às vezes esse negócio de teatro dói. E isso às vezes dá medo.

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