Posts de Agosto, 2008

sssnake

Agosto 1, 2008

Sexta-feira. Mais um dia de treino.

Díficil engrenar, a manhã anterior foi bem desgastante, fisicamente e energeticamente. Estava na torcida para Nilce me dar “o cano”. Mas que nada, 8 horas da manhã me ligou: vai aquecendo que tô chegando.

Aqueci. varri a sala. me deitei. Impulsos a partir do centro no chão. Plano médio. Plano alto. Acompanhando a música: mestre ambrósio.

Tudo para. Um cobra começa no pescoço. Depois desce pros ombros, atinge a espinha e depois o quadril. A espinha inteira engajada e o resto do corpo reagindo. Durante não sei quantos minutos nesse movimento. Algum tempo depois, começou a surgir um som do próprio movimento, voi meio sem querer. E o movimento foi ampliando, e começou uma dor estranha, e o som apliando junto com a dor.

Veio assim sem imagem mesmo. Simplesmente um movimento e um estado. Como que algo fisgando parte da musculatura mesmo, e mudando o som, e esse som ecoando por tudo dentro. E foi assim até surgir outro estado, esse mais contido, mais fechado, com braços e pernas se cruzando e peito aberto. Dois estados, a partir daquele moviemnto. Bem fortes. Até não mais ter força.

Aí fiquei no chão mesmo. um bom tempo.

Às vezes esse negócio de teatro dói. E isso às vezes dá medo.

o retorno do macaco

Agosto 1, 2008

no trabalho de ontem, surgiram coisas novas e o trabalho começou a ganhar outro tom.

Iniciei o trabalho com Nilce, e após o aquecimento, iniciou uma proposta de caça, de corrida. Meu corpo entrou em chamas e me senti muito aceso. E aí Niiilce passou a propor estímulos de totem: primeiro o touro na bacia e pernas, depois leão no peito, e um novo (pro trabalho) macaco pra cabeça.

Já havia trabalhado com essa figura do macaco em Hotel Medea na cena dos paparazzi, e me senti bastante a vontade de trabalhar com a dinamica do macaco só na região da cabeça. Nisso começou a haver um forte contraste entre a rigidez do touro, e a brincadeira/ agilidade do macaco. E o leão também passou a ter vida própria. Como se em alguns momentos o corpo fosse realmente dividido em três, e até de vez em quando brigando entre si.

Essa coisa do macaco trouxe um outro tom pro guerreiro, que andava muito sério. Ampliou as possibilidades de jogo, e a dinâmica de ações. Nesses momentos do macaco, ocorreu um estado em que o macaco simplesmente se descontrolou de tanto rir. Um descontrole muito vivo. Não sei que que me deu, mas me senti aberto, solto, com uma sensação de liberdade muito forte.

Logo após, por sugestão de Nilce, passei a experimentar as partituras anteriores dentro dessa nova dinâmica. E novas nuances surgiram. A própria caminhada zero que já andava meio estagnada e “morna”, voltou a adquirir um tom mais forte, como se um canal realmente tivesse sido aberto naquele momento.

Espero que que essa energia consiga ser codificada para ser repetida no futuro. =)

vamos invadir tua praia

Agosto 1, 2008

Na quarta feira (dia 30) por sugestão de Nilce, fomos treinar na praia. Fomos eu, Irlane e Nilce. Nilce propunha o que ser feito, e eu e Irlane repondíamos.

Basicamente foram aproveitados os estímulos que o ambiente nos dava: a areia no chão, o barulho do mar, das ondas quebrando, e o vento que soprava continuamente. A maré estava baixa, e tinha bastante espaço de areia lisa.

O trabalho começou individual, com a busca corporal em relação com esse ambiente. Senti uma movimentação muito leve acompanhando o vento, e descobri uma nova dinâmica do quadril, como ondas do mar. Como um mar imenso carregado na bacia e em movimento. Senti que esse estímulo pode ainda ser aprimorado. Experimentei também meus pés realmente fincados na areia, como raiz. E experimentei alguns estímulos internos já construídos.

Após esses momentos, foi feito o tapete (momento de jogo, ou apenas demonstração do material adquirido durante a jornada), nele jogamos eu e irlane. Foi bonito.

Sempre muito bom mudar de ares, pra oxigenar o trabalho.