Umas das coisas que acredito quanto ao processo criativo, é que nunca se deve acreditar plenamente na primeira idéia, e sim que se deve buscar qual a idéia vem além desta primeira. Porque para uma idéia ser inesperada para outro, ela antes de tudo deve ser inesperada para quem a teve. Deve ser uma descoberta, um achado, algo que eu não esperava e olha só que legal isso aqui, como não pensei nisso antes!!
“Como não pensei nisso antes!!” resume tudo, porque se você pensou nisso antes, quer dizer que qualquer um poderia ter pensado, mas se você não pensou nisso antes, isso quer dizer que quem recebe sua idéia provavelmente também não pensou nisso antes, e vai se surpreender.
Por isso acredito no processo criativo como uma ruminação, uma elaboração da idéia, não uma elaboração no sentido de construir estruturas hipercomplexas, mas no sentido de uma reelaboração constante em busca da simplicidade, um se lançar e estar aberto às novas possibildades que podem aparecer no caminho.
Com relação às possibilidades também posso dividi-las em duas categorias, existem as idéias mentais, aquelas que a gente fica pensando pensando, enquanto toma banho, enquanto caminha, e com um pouco de disciplina o ideal é anotar todas, e deixá-las evoluir na cabeça. Essas idéias mentais podem dar boas cenas, ou não. Somente no momento da execução é que se sabe se uma idéia realmente funciona, porque cada meio de expressão é um canal diferente que possui suas próprias potencialidades. Outro tipo de idéia vem da exploração da própria linguagem de expressão, como no caso do ator, extrair idéias da própria movimentação do ator e sua relação do espaço, e não do imaginário. Estar aberto a essas idéias a partir do corpo e não a partir da mente.
Acredito que a exploração deve se dar dentro dessas duas camadas, e que elas não estão separadas, pode-se ter uma idéia mental que não funciona do jeito que se imaginava, mas que me leva pra um outro caminho, que de repente alterando aqui e ali pode dar uma coisa muito legal. Assim como pode-se descobrir algo muito expressivo dentro de um processo de descoberta física, e que pode ser atrelado à uma idéia mental para ampliar força e sentido. O que significa não se apegar, mas de saber optar sobre qual a melhor possibilidade.
