Samurai nas Ruas

Julho 1, 2009 by Leandro De Maman

Atualmente faz parte do conceito do Samurai ser um desses artistas-estátua-de-rua, então faz parte do processo vivenciar ser estátua e ficar na Rua. A primeira experiência foi agora de manhã no centro de Itajaí – SC, fazia frio e ventava um pouco. Me acompanhava o companheiro Osmar de Oliveira (Porto Cênico). Ele tem acompanhado essa semana de ensaios no espaço Porto Cênico e fez o registro fotográfico dessa experiencia na rua. Primeiramente me arrumei na rua, coloquei o figurino e maquiagem (Pancake Branco Colombina, não recomendo essa marca pra ninguém, péssima), o que demorou um 15 minutos já chamando a atenção dos que passavam. Um comerciante que estava parado na loja da frente veio me dizer “você vai tomar o lugar do passarinho”, passarinho é uma estátua de rua que costuma a ficar por ali. Respondi que ele pode ficar do meu lado, não tem problema.”Tem espaço pra todo mundo” disse ele.

Depois de pronto, me postei de estátua e fiquei. Combinei com o Osmar de ele me avisar quando passasse 1 hora. Fiquei um tempo na primeira posição, e por instantes achei que ia demorar até alguém jogar um dinheirinho. Mas até que não, logo alguém colocou dinheiro e pude me movimentar. Mas o que me chamou a atenção é que esse primeiro, para minha frustração colocou o dinheiro na caixinha e simplesmente saiu batido, nem queria ver o que eu iria fazer, aí fiquei lá desestatuando que nem tolo pra ninguém. Boa parte dos que colocaram dinheiro foi assim, como se estivesse dando esmola, sem nem sequer olhar minha reação. Mas é claro que tem o que querem o retorno de seu dinheiro, principalmente as crianças, que olhavam com olhos de expectativa. O que é bem bacana, e depois saem felizes por terem interagido com o samurai.

Abaixo vídeo de uma das interações:

O mais engraçado eram os cometários ao redor enquanto eu ficava parado: “ele tá trabalhando, não ta pedindo, é o trabalho dele”, “tem que colocar dinheiro para funcionar”, “nossa que bonito, vi lá do meu apartamento e não consegui ver o que era, depois quero voltar e tirar uma foto e deixo um dinheirinho pra você”, “-O guerreiro tá cansado, o bravo guerreiro está cansado, não consegue nem sequer se levantar.  -coloca um dinheiro que ele levanta -não tenho dinheiro, mas tenho um botão de flor (joga o botão de flor na caixinha)”, “vai trabalhar com alguma coisa de verdade”, “é o diabo, coisa do demônio (se benze) é o diabo”, “é o trabalho dele”; O ideal era ter um gravador para coletar todos esses comentários, quem sabe na próxima empreitada.

O que sei é que nos 15minutos finais da uma hora minhas pernas já não aguentavam as posição, tremiam muiiiiiito (”coitado ta tremendo de frio”, frio nada era musculatura mesmo). Quero ver se agora durante julho faço algum exercício específico para melhorar isso, ou quem sabe o samurai pode sair da plataforma a cada 30min e se alongar um pouco, como samurai mesmo ou os dois.  A próxima meta será passar pelo menos 4 horas como estátua, o que deve acontecer em agosto, já que agora em julho vou para o interior ministrar um curso. Enquanto eu estava lá, um fiscal veio abordar Osmar, dizendo que eu precisava de uma autorização da prefeitura pra fazer isso. Ele explicou que já estavámos saindo e ficou tudo bem. Vou providenciar essa solicitação de autorização ainda essa semana. Pretendo em agosto fazer mais intervenções em Balneário Camboriú também. No final o resultado foi bem animador, a reação das pessoas com a imagem da estátua foi super-positiva, inclusive a interação com os que estavam dispostos. E com o dinheiro arrecado deu para pagar o café e ainda sobrou =).

Fica como lição de casa criar mais reações para a estátua, fazer mais interações paral apidar e pegar o ritmo de fazer a interação sem afobação,  arrumar a cadeira de base para que ela fique um pouco mais estável (talvez colocar borracha embaixo), e treinar fisicamente a sustentação da base para guentar o tranco de ficar parado durante um longo intervalo de tempo.

abaixo fotos que Osmar tirou:

samurai na rua

projeção x improviso

Junho 16, 2009 by Leandro De Maman

De volta à terras brasileiras. Durante os últimos meses que passei em Londres (mar – mai) o processo do Samurai continuou no plano conceitual. Tentei ir para o plano prático primeiro (até peguei um projetor emprestado), mas logo percebi, que sem ter bem definido com o que se quer com a projeção, a coisa não anda. Isto é, não da pra improvisar com projeção,  já que o material projetado demanda tempo para construção. Até cheguei a construir um elemento a ser projetado (uma idéia de borboleta), mas decidi criar o restante somente quando o roteiro estivesse definido.

Então, a prioridade ficou definir o roteiro para o Samurai antes de voltar ao Brasil. Para definição do roteiro, foram várias conversas e trocas de idéias com Antigoni Spanou (zecora ura). Até que se chegou a um roteiro relativamente simples, e que atendia várias idéias que eu gostaria de abordar. Também estamos cogitando a possibilidade de uma participação vocal de Antigoni no espetáculo, mas ainda não batemos o martelo, é algo que defeniremos mais pra frente.

Além do roteiro, durante esse período frequentei a academia moving east, tendo aula de aikidô  e kenjutsu (estilo Kashima Shinry ). Foram apenas 3 meses de pratica, o que é muito pouco para dominar qualquer início de técnica de espada, mas de qualquer maneira foi muito bom para a base de movimentação do espetáculo.

Outra coisa detectada é que o nome Samurai Mustafá remete aos árabes, o que não tem nada a ver com o roteiro que está sendo desenvolvido. O que significa que muito em breve o projeto deve ser rebatizado. Com relação à parceria com Urias, continuo o processo sozinho, devido à distância (já que estou em SC e ele no MA), e pretendo continuar trabalhando já que existe até data marcada para uma apresentação, que será no início de setembro em Miguel Pereira. De qualquer maneira as matrizes codificadas no maranhão devem ser usadas como uma das camadas do trabalho.

Chegando no Brasil a prioridade tem sido confeccionar o figurino, que devo finalizar essa semana. Isso porque o processo do projeto prevê laboratório na Rua o que pede que o figurino esteja pronto. A idéia do figurino está muito parecida com a 1.0 com algumas melhoras. Ainda será usado papelão mas com base de tecido, para que fique mais resistente e as placas não enrosquem uma na outra. O figurino também será pintado inteiramente de branco. Quando tiver fotos dele pronto posto por aqui.

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Sobre projeções – Between The Devil

Janeiro 18, 2009 by Leandro De Maman

Aqui em Londres tá bem corrido, muito ensaio e trabalho para poder estreiar dia 29. Mas no meio da correria surgiu uma peça para assistir que trabalha basicamente com interação entre projeção e ator, a peça se chama “Between The Devil And The Deep Blue Sea”, e são duas atrizes no palco mais uma pianista. O uso das projeções é bem interessante, e tem um jogo com a platéia bem legal no final. Foi bom assistir para ver como a coisa das projeções funciona bem. Mas em determinada parte do espetáculo a interação ficou mais voz/ projeção, já que utilizava muito o recurso textual. Prefiro a interação corpo/ projeção que ocorreu numa cena de 9 mortes, e com apelo muito bom com a platéia.

Também ficou perceptível que a música tem papel fundamental para dar força e vida às animações. Logo a trilha sonora deve ser bem pensada também. Gostei bastante de uma cena em que o background era composto por imagens mais abstratas, em posição menos linear no espaço. Acho que é um recurso que certamente pode ser utilizado, assim como a mudança de ângulo para animação, e uso de cortinas para compor recortes de projeção. Outro coisa que me chamou a atenção foi o uso de uma mancha branca para iluminar o ator nas cenas de fundo escuro, bem sincronizado funciona bem. Assim como uso de transição entre ator que está na tela, para um ator que está projetado, esse outro jogo ator da cena / ator projetado, também pode ser usado.

Mas no final o que ficou é que o que funciona é o uso de composições super fotográficas e simples, assim como a possibilidade de quebrar um pouco com a linearidade. Gostei bastante de ter ido assistir o espetáculo, pra uma primeira referência. =)

betweenthedevil


samurai não morreu

Dezembro 28, 2008 by Leandro De Maman

Após um longo período sem postar nada, agora volto com as postagens. A correria anda grande principalmente por causa de hotel medea peça em que atuo e que estréia agora em janeiro em Londres no Teatro Arcola. Então samurai mustafá ficou bem de lado no plano prático.  Mas em compensação conceitualmente tem evoluído.

Com essa idéia de relação de encontro, estive em contato com uma oficina de clown (com pepe nuñes), muito valiosa, e depois disso fiz alguns exercícios de clown com James Turpin (ator de hotel medea) e cheguei à conclusão que não é isso que quero para o trabalho. Mas os elementos de contato com o público ainda assim penso que serão fundamentais.

Ao rever o “The MAX” que era uma referência importante, chego à conclusão que é mais ou menos alquele clima ou “mood” que quero atingir. Uma coisa meio sombria, com alguns elementos que beiram o surreal. Disso surgiu a idéia de desenvolver um guerreiro interior, um guerreiro que entra em contato com seus próprios pesadelos, com seu subconciente, um guerreiro em contato com suas próprias sombras.

Ainda não tenho idéia de como será isso, mas talvez utilizando sombras mesmo pra criar esse universo de sombras, que era uma sugestão antiga de zukoski. Mas o conceito da peça e do personagem começa agora a criar definição. Não sei se janeiro/fevereiro terei tempo de trabalhar nesse espetáculo porque a prioridade será hotel medea. Mas de qualquer maneira em 2009 volto com mais novidades. =)

sssnake

Agosto 1, 2008 by Leandro De Maman

Sexta-feira. Mais um dia de treino.

Díficil engrenar, a manhã anterior foi bem desgastante, fisicamente e energeticamente. Estava na torcida para Nilce me dar “o cano”. Mas que nada, 8 horas da manhã me ligou: vai aquecendo que tô chegando.

Aqueci. varri a sala. me deitei. Impulsos a partir do centro no chão. Plano médio. Plano alto. Acompanhando a música: mestre ambrósio.

Tudo para. Um cobra começa no pescoço. Depois desce pros ombros, atinge a espinha e depois o quadril. A espinha inteira engajada e o resto do corpo reagindo. Durante não sei quantos minutos nesse movimento. Algum tempo depois, começou a surgir um som do próprio movimento, voi meio sem querer. E o movimento foi ampliando, e começou uma dor estranha, e o som apliando junto com a dor.

Veio assim sem imagem mesmo. Simplesmente um movimento e um estado. Como que algo fisgando parte da musculatura mesmo, e mudando o som, e esse som ecoando por tudo dentro. E foi assim até surgir outro estado, esse mais contido, mais fechado, com braços e pernas se cruzando e peito aberto. Dois estados, a partir daquele moviemnto. Bem fortes. Até não mais ter força.

Aí fiquei no chão mesmo. um bom tempo.

Às vezes esse negócio de teatro dói. E isso às vezes dá medo.

o retorno do macaco

Agosto 1, 2008 by Leandro De Maman

no trabalho de ontem, surgiram coisas novas e o trabalho começou a ganhar outro tom.

Iniciei o trabalho com Nilce, e após o aquecimento, iniciou uma proposta de caça, de corrida. Meu corpo entrou em chamas e me senti muito aceso. E aí Niiilce passou a propor estímulos de totem: primeiro o touro na bacia e pernas, depois leão no peito, e um novo (pro trabalho) macaco pra cabeça.

Já havia trabalhado com essa figura do macaco em Hotel Medea na cena dos paparazzi, e me senti bastante a vontade de trabalhar com a dinamica do macaco só na região da cabeça. Nisso começou a haver um forte contraste entre a rigidez do touro, e a brincadeira/ agilidade do macaco. E o leão também passou a ter vida própria. Como se em alguns momentos o corpo fosse realmente dividido em três, e até de vez em quando brigando entre si.

Essa coisa do macaco trouxe um outro tom pro guerreiro, que andava muito sério. Ampliou as possibilidades de jogo, e a dinâmica de ações. Nesses momentos do macaco, ocorreu um estado em que o macaco simplesmente se descontrolou de tanto rir. Um descontrole muito vivo. Não sei que que me deu, mas me senti aberto, solto, com uma sensação de liberdade muito forte.

Logo após, por sugestão de Nilce, passei a experimentar as partituras anteriores dentro dessa nova dinâmica. E novas nuances surgiram. A própria caminhada zero que já andava meio estagnada e “morna”, voltou a adquirir um tom mais forte, como se um canal realmente tivesse sido aberto naquele momento.

Espero que que essa energia consiga ser codificada para ser repetida no futuro. =)

vamos invadir tua praia

Agosto 1, 2008 by Leandro De Maman

Na quarta feira (dia 30) por sugestão de Nilce, fomos treinar na praia. Fomos eu, Irlane e Nilce. Nilce propunha o que ser feito, e eu e Irlane repondíamos.

Basicamente foram aproveitados os estímulos que o ambiente nos dava: a areia no chão, o barulho do mar, das ondas quebrando, e o vento que soprava continuamente. A maré estava baixa, e tinha bastante espaço de areia lisa.

O trabalho começou individual, com a busca corporal em relação com esse ambiente. Senti uma movimentação muito leve acompanhando o vento, e descobri uma nova dinâmica do quadril, como ondas do mar. Como um mar imenso carregado na bacia e em movimento. Senti que esse estímulo pode ainda ser aprimorado. Experimentei também meus pés realmente fincados na areia, como raiz. E experimentei alguns estímulos internos já construídos.

Após esses momentos, foi feito o tapete (momento de jogo, ou apenas demonstração do material adquirido durante a jornada), nele jogamos eu e irlane. Foi bonito.

Sempre muito bom mudar de ares, pra oxigenar o trabalho.

fotos e filmagens

Julho 28, 2008 by Leandro De Maman

Sexta feira (dia 25), passamos todas as matrizes já conquistadas para fazer levantamento de material. E Irlane aproveitou a ocasião para tirar fotos, e Nilce para filmar. Se eu conseguir editar e jogar no youtube, no futuro o vídeo deve aparecer por aqui. Ali embaixo fotos tiradas por Irlane

mustafá matrizes

As matrizes continuam basicamente as mesmas do post anterior, com pequenas adições e alterações:
- Caminhada zero
- Vazio
- boi defendendo
- ataque de pena
- Moscas
- Explosão
- encontros (com o outro, todos e deus)
- música lenta
- agradecimento da gueixa
- agradecimento
- galobo
- Xangô

Esse último é o que tem a energia masculina mais forte – mais agressiva. Assistindo o vídeo vi que a minha base continua muiiiito alta. Na minha cabeça eu achava que estava beem mais baixa. Coisa pra se trabalhar, que já começamos hoje. Abaixo fotinho da nilce com a camera =P

matrizes

Julho 21, 2008 by Leandro De Maman

Aqui continuo trabalhando com Irlane na geração de matrizes.

Basicamente as matrizes que estão sendo trabalhadas são as seguintes
- A caminhada zero

- 3 ações à partir do desequilíbrio
- Ação de explosão
- ação do ataque das moscas
- início do trabalho com animais: lobo e galo
- ação da canção pessoal
- ações com movimentos a partir dos personagens do boi
- ação do pedido

Hoje irlane iniciou um trabalho de diferenciação entre energia masculina e feminina
Mas hoje só teve o início. Trabalhamos alguns movimentos de iemanjá x boi

Também iniciei um trabalho com Daniela Dini sobre a dança do  caroço. Tivemos só uma sessão
e a próxima deve ser na quarta feira. A idéia é integrar dança popular em algum lugar (ou não, hehe)

Além disso aprendi a fazer espadas com balão, e pretendo ir na PLAN (lugar cheeeio de crianças) com Nilce
para brincar com as crianças, já que a relação espada – criança era um dos temas iniciais.

=) sem novas fotos por enquanto.

Sobre o encontro

Julho 16, 2008 by Leandro De Maman

Cada vez mais eu acho que esse trabalho deve ser relativo à um encontro. À criação de um momento de encontro entre a platéia e o samurai. E que isto deve ser o mais importante. Mais importante do que um ato performático egoísta, esquecido do outro que está ali.

A questão é, como promover e aprofundar esse encontro.

Não sei.

De qualquer maneira, hoje aconteceu um. Entre eu e esse menino da foto, quando falaram a entrada do samurai, seus olhos brilharam. E ficou ali, disponível. Lhe entreguei o pandeiro para me acompanhar, e depois brinquei rápido de espada. Foi bacana. Momento de encontro.